Câmera que grava serve para descobrir o que aconteceu. Câmera que avisa serve para agir enquanto está acontecendo. A diferença entre as duas não está na câmera: está no que se faz com o vídeo depois que ele chega.
Detecção de movimento não é detecção de pessoa
Todo DVR tem “detecção de movimento”, e todo mundo que já ligou sabe o resultado: alerta de galho balançando, de farol de carro passando, de gato, de chuva. Movimento é mudança de pixel, e mudança de pixel acontece o tempo todo.
Detecção por análise de vídeo é outra coisa. Um modelo treinado olha o quadro e responde o que está ali: uma pessoa, um veículo, um animal, uma placa. O galho continua balançando; ele só não é uma pessoa.
O que a análise detecta
As classes são poucas de propósito, porque são as que resolvem quase todo caso real:
- Pessoa. Alguém dentro de uma área.
- Veículo. Carro, moto ou caminhão, parado ou circulando.
- Animal. Para separar o cachorro da pessoa e não acordar ninguém à toa; no campo, para avisar o animal fora do cercado.
- Placa. Lida na portaria, no formato brasileiro (Mercosul e antigo), para comparar com uma lista.
Como vira alerta: área, horário e regra
Detectar uma pessoa não é um alerta; uma pessoa na loja durante o expediente é o normal. O alerta nasce de três ingredientes que você define sobre o vídeo:
- A área. Você desenha sobre a imagem ao vivo: o pátio, o portão, o corredor do estoque. O que passa fora da área, atrás do muro ou na calçada, não conta.
- O horário. Das 22h às 6h, fim de semana, feriado. Fora dele a regra dorme.
- A regra. O que dispara: pessoa na área, veículo parado por mais de cinco minutos, mais gente do que o combinado, placa que não está na lista.
O que se contrata hoje, por câmera:
- Pessoa em área ou horário. Alguém entrou numa área que você desenhou, no horário em que não deveria.
- Veículo em área ou horário. Carro, moto ou caminhão parado ou circulando onde não deveria.
- Animal em área. Separa o cachorro da pessoa para não acordar ninguém à toa. No campo, avisa o animal fora do cercado.
- Permanência prolongada. Alguém parado tempo demais na porta, na guarita ou no corredor.
- Ocupação acima do limite. Mais gente do que o combinado no salão, na fila ou na sala de espera.
- Leitura de placa com lista. Lê a placa (Mercosul e antiga) na portaria e avisa se ela está, ou não está, na sua lista.
- Acesso fora do horário. Qualquer pessoa na loja, no escritório ou na escola fora do expediente.
O alerta chega no celular e por e-mail com a foto do momento, o que foi detectado marcado na imagem e o link que abre a gravação no ponto certo. Você reconhece, ou manda para a central.
Onde a análise roda
Não roda na câmera. Roda em servidores com GPU, sobre o vídeo que a câmera já envia para ser gravado. Isso tem três consequências práticas:
- Serve qualquer câmera que está sendo gravada, inclusive as antigas, as de DVR e as que passam pelo bridge com internet comum.
- Liga e desliga por câmera, sem trocar equipamento: a portaria tem, o depósito não.
- O quadro analisado é descartado. Só o alerta guarda uma miniatura, pelo mesmo prazo de retenção da câmera, e todo acesso a ela entra no registro de auditoria.
Como evitar alarme falso
Alerta que dispara o tempo todo vira alerta que ninguém lê. Cinco ajustes resolvem a maior parte:
- Desenhe a área com precisão. Fora do muro, fora da regra. É o ajuste que mais corta ruído.
- Duração mínima. Uma pessoa que cruza a área em dois segundos é diferente de uma que fica dois minutos. Exija permanência onde fizer sentido.
- Tempo de silêncio. Depois de um alerta, a regra espera alguns minutos antes de disparar de novo. Uma pessoa não vira dez notificações.
- Horário. A regra do pátio só precisa existir fora do expediente.
- Classe certa. Se o problema é cachorro, a classe animal existe para isso.
E um seguro contra o que sobrar: se uma regra dispara demais numa hora, ela é silenciada por um tempo e você é avisado. É melhor descobrir que uma regra está mal desenhada do que perder a confiança em todas.
Por que sem reconhecimento facial
Reconhecimento facial identifica quem é a pessoa. Isso é biometria, e biometria é dado pessoal sensível na LGPD (art. 5º, II), com regras próprias e bem mais duras (art. 11). Uma escola, uma clínica ou um condomínio que ligam reconhecimento facial passam a manter um cadastro biométrico de todo mundo que entra, com tudo o que isso exige de proteção, base legal e resposta a incidente.
A pergunta que a segurança faz quase nunca é “quem é”. É “tem alguém aí a essa hora?”, “esse carro devia estar aqui?”, “essa placa está na lista?”. Detectar o quê, nunca quem, responde a isso sem criar um banco de rostos. Não é limitação; é o motivo de escola, clínica e condomínio poderem usar.
Placa é dado pessoal
Placa de veículo identifica o proprietário, então é dado pessoal, embora não sensível. Uma lista de placas autorizadas na portaria é uma forma leve e legítima de controlar acesso, desde que a lista seja do controlador (o condomínio, a empresa), fique só na conta dele e saia junto quando a conta for encerrada. E a leitura só devolve o que casa com o formato brasileiro de placa: um número de telefone pintado num caminhão não entra na lista.
Em quanto tempo o alerta chega
Depende do plano contratado por câmera, e a diferença é quantos quadros vão para a análise. O plano Essencial promete aviso em até 1 hora, e serve para o que não precisa de resposta imediata: perímetro, acesso fora de hora, ocupação e placa na portaria. O plano Padrão promete aviso em minutos, para portaria, loja e pátio com movimento. Um plano de tempo real, com rastreamento e cruzamento de linha, está a caminho.
A inteligência é um adicional por câmera, por mês, somado à licença de gravação; os valores estão na página de preços, e a lista completa do que já está disponível e do que está a caminho, na página da inteligência.