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Como acessar a câmera pela internet sem IP fixo: o que é CGNAT e como resolver

Abriu a porta no roteador, configurou DDNS e a câmera continua inacessível de fora? Quase sempre é CGNAT. Veja o que é, como confirmar e o que funciona de verdade.

Equipe Invigil 5 min de leitura

O roteiro é sempre o mesmo. Você abre a porta 554 no roteador, aponta um DDNS para a sua casa, testa de fora e nada. Reinicia o roteador, abre a porta de novo, troca de DDNS. Nada. O problema não está na sua configuração: está antes dela.

O que é CGNAT

O IPv4 tem cerca de 4 bilhões de endereços, e eles acabaram. Para continuar conectando clientes novos, o provedor passou a colocar dezenas ou centenas de casas atrás de um único IP público. É o CGNAT, de Carrier-Grade NAT: a mesma tradução de endereços que o seu roteador faz entre a sua rede e a internet, feita mais uma vez, dentro do provedor.

O efeito prático: a sua rede enxerga a internet, mas a internet não enxerga a sua rede. Quando você “abre uma porta” no roteador, abre a porta do seu roteador. O visitante, porém, bate na porta do provedor, e o provedor não sabe para qual dos clientes daquele IP entregar a conexão.

É a norma no Brasil, não a exceção. Vale para fibra, para rádio e para 4G e 5G, sem exceção conhecida no móvel.

Como confirmar que você está atrás de CGNAT

Leva dois minutos.

  1. Abra a página de administração do roteador e procure o IP da WAN (também chamado de IP externo ou IP do link).
  2. Num site do tipo “qual é o meu IP”, veja o endereço que a internet enxerga.
  3. Se os dois forem diferentes, você está atrás de CGNAT.

Um segundo sinal: se o IP da WAN começa com 100.64 até 100.127, é a faixa reservada exatamente para CGNAT. Endereços começando com 10., 172.16 a 172.31 e 192.168 também são privados e indicam a mesma coisa.

As saídas, da pior para a melhor

Abrir porta e usar DDNS

Não resolve CGNAT, pelo motivo acima. E mesmo quando resolve, porque você tem IP público, é a pior ideia da lista: uma câmera ou um DVR exposto na internet é alvo de varredura automática o dia inteiro. Senha de fábrica, firmware antigo e serviços abertos fizeram das câmeras a base de algumas das maiores botnets já registradas. Se precisa mesmo expor, troque a senha, atualize o firmware e restrinja o acesso por IP de origem. Se não precisa, não exponha.

Pedir IP público ao provedor

Alguns provedores oferecem, em geral por uma taxa mensal. Resolve o alcance, mas você continua expondo a câmera e continua dependendo de o provedor manter a condição a cada troca de plano.

IPv6

Com IPv6 não há escassez de endereço e não há CGNAT. Funciona quando os dois lados têm IPv6, o que ainda não é garantido em toda rede móvel e em todo escritório, e continua sendo uma câmera exposta, agora com um endereço maior.

O aplicativo do fabricante (P2P)

A câmera se conecta a um servidor do fabricante e o aplicativo também; o servidor faz a ponte. Funciona sem abrir nada, e é por isso que os fabricantes gostam. O custo é ficar preso ao aplicativo e à marca, gravar só no aparelho da sua casa e depender de um servidor que você não controla, muitas vezes fora do país.

VPN

WireGuard, Tailscale e afins criam um túnel entre o seu celular e a sua rede. É uma boa saída para quem sabe configurar e quer só acessar. Não grava nada fora da casa, e o túnel precisa de um ponto de saída que muitas vezes esbarra no mesmo CGNAT.

Um agente que conecta de dentro para fora

É como funciona qualquer serviço que precisa atravessar CGNAT sem gambiarra: um programa dentro da sua rede abre uma conexão de saída para um servidor conhecido e mantém essa conexão aberta. Saída sempre passa; é o que o seu navegador faz o dia inteiro. Por essa conexão o vídeo sobe e os comandos descem.

É o que o Invigil Bridge faz. Ele roda num Linux, num Raspberry Pi ou num Windows da sua rede, puxa o vídeo das câmeras pela rede local e envia para o nosso datacenter, cifrado. Nenhuma porta aberta, nenhum DDNS, nenhum IP fixo.

Como o bridge se comporta na prática

  • Só conexão de saída. O suporte nunca precisa entrar no seu roteador.
  • Reconecta sozinho. Caiu a luz ou a internet, ele volta quando a rede voltar.
  • Passa em rede fechada. Se a rede bloqueia UDP, ele cai para uma conexão na porta 443, a mesma de qualquer site seguro.
  • Não depende da nuvem para lembrar da configuração. Ela fica cifrada em disco; ele reinicia sem esperar ninguém.

A instalação é um comando que o painel mostra pronto. Escrevemos um passo a passo para quem vai usar um Raspberry Pi: Raspberry Pi como ponte das câmeras para a nuvem.

E o DVR que já transmite?

Se o seu gravador tem a função de transmissão RTMP (a mesma do YouTube), ele consegue enviar um canal sem instalar nada. Serve para a câmera mais importante; para o gravador inteiro, o bridge continua sendo o caminho, porque quase todo DVR transmite um canal por vez.

  • CGNAT
  • acesso remoto
  • IP fixo
  • DDNS
  • port forwarding

Perguntas sobre o assunto

O que costuma ficar depois de ler.

DDNS resolve CGNAT? +
Não. DDNS só dá um nome para o IP que o seu roteador recebe do provedor. Se esse IP é compartilhado (CGNAT), o nome aponta para o provedor, e a porta que você abriu no roteador nunca é alcançada.
Vale a pena pedir IP público ao provedor? +
Resolve o acesso, mas costuma custar uma taxa mensal e continua exigindo que você exponha a câmera na internet. Para gravar na nuvem, um bridge que conecta de dentro para fora dispensa o IP público e não abre nada.
O aplicativo do fabricante já me deixa ver a câmera de fora. Por que mudar? +
Porque ele resolve só o ao vivo, pelo servidor do fabricante, e prende você ao aplicativo e à marca. A gravação continua no gravador da sua casa, com tudo o que isso implica.

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