O bridge é o programa que resolve o problema de quase toda câmera do Brasil: ela enxerga a internet, mas a internet não enxerga ela. Instalado num computador da sua rede, ele puxa o vídeo das câmeras e envia para a nuvem por uma conexão de saída. Nenhuma porta aberta, nenhum IP fixo. E o computador mais comum para isso é um Raspberry Pi.
O que o bridge faz (e o que não faz)
Faz: lê o vídeo das câmeras e do DVR pela rede local, envia cifrado para o datacenter, reconecta quando a internet volta e recebe comandos do painel (testar uma câmera, atualizar).
Não faz: não recodifica o vídeo, não grava em disco, não precisa de tela. Por isso roda num aparelho pequeno. O custo dele por câmera é rede e uma fração do processador; o limite real é o upload da sua internet, não o Raspberry.
O que você precisa
- Raspberry Pi 3 ou mais novo. O Pi 4 e o Pi 5 têm rede gigabit e sobra; o Pi 3 serve para poucas câmeras.
- Fonte oficial, ou equivalente com corrente suficiente. Fonte fraca é a causa número um de Raspberry que reinicia sozinho.
- Cartão microSD de marca conhecida, 16 GB bastam, com o Raspberry Pi OS Lite (64 bits). Sem interface gráfica: não há o que ver.
- Cabo de rede. O bridge funciona em Wi-Fi, mas Wi-Fi é o primeiro suspeito em qualquer vídeo picotado. Ligue por cabo na mesma rede das câmeras.
- Uma conta no Invigil com pelo menos uma câmera para cadastrar.
Passo a passo
1. Grave o sistema no cartão
Use o Raspberry Pi Imager. Escolha o Raspberry Pi OS Lite (64 bits), e nas configurações avançadas defina o nome do usuário, a senha e habilite o SSH. Se for usar Wi-Fi, configure aqui também, mas prefira o cabo.
2. Ligue e acesse
Coloque o cartão, ligue o cabo de rede e a fonte. Em um minuto o Raspberry aparece na rede; descubra o IP dele na página do roteador e conecte pelo terminal:
ssh usuario@192.168.1.60
3. Pegue o comando no painel
No painel do Invigil, entre em Bridges e clique em Novo bridge. Dê um nome (por exemplo, “Loja Centro”) e o painel mostra um comando pronto, com um token de uso único. Ele se parece com este:
curl -fsSL https://api.invigil.com.br/install.sh \
| sudo sh -s -- --api https://api.invigil.com.br --token SEU-TOKEN
Use o comando que o painel mostrar, não o do exemplo: o token expira e é de uso único.
4. Rode o comando no Raspberry
Cole no terminal do SSH e aguarde. O instalador baixa o bridge, cria o serviço do sistema e conecta. Em alguns segundos o bridge aparece online no painel.
5. Cadastre as câmeras
Ainda no painel, adicione as câmeras apontando para o endereço RTSP local de cada uma (por exemplo, rtsp://usuario:senha@192.168.1.50:554/...). O bridge testa cada uma na hora e mostra codec, resolução e consumo estimado. Se você não sabe o endereço, o formato por fabricante está em URL RTSP: como descobrir a da sua câmera ou DVR.
Pronto. As câmeras passam a gravar na nuvem e a aparecer ao vivo no navegador.
A pegadinha do relógio
O Raspberry Pi não tem relógio de hardware. A cada boot, a hora nasce em 1970 ou na última data conhecida, e só acerta quando o sistema sincroniza pela internet.
Vídeo gravado com a hora errada é vídeo que ninguém acha na linha do tempo. Por isso o bridge não envia nada enquanto o relógio não estiver sincronizado. Se o bridge está online mas as câmeras não publicam logo depois de um boot, espere um minuto; se persistir, confira com:
timedatectl
A linha System clock synchronized precisa dizer yes.
Quantas câmeras cabem
A conta é a do upload. Cada câmera envia o bitrate dela o tempo todo; some e compare com a velocidade de envio do seu plano, deixando 30% de folga. Quatro câmeras a 2 Mbps são 8 Mbps de upload contínuo. O Raspberry, nessa conta, aparece só como a rede: um Pi 3 tem porta de 100 Mbps, e um Pi 4, gigabit.
Para reduzir o consumo sem trocar de câmera, o caminho é H.265 no stream principal e bitrate ajustado; detalhes em quanto de internet uma câmera consome.
Se a internet cair
O bridge reconecta sozinho quando a rede volta. Se a rede bloqueia UDP (comum em empresa), ele troca para uma conexão na porta 443 depois de algumas tentativas. Nada disso precisa de intervenção, e o painel mostra o período sem envio como uma falha na linha do tempo.
Quando não conecta
O próprio bridge tem um diagnóstico local que funciona mesmo sem internet:
bridge status
| O que aparece | Causa provável | Onde olhar |
|---|---|---|
| Todas as câmeras offline | senha errada, câmera desligada ou em outra rede | teste o endereço RTSP no VLC a partir de um PC da mesma rede |
| Câmeras ok, envio parado | link caído ou saturado | teste de velocidade; bitrate no painel |
| Envio só funciona no modo de contingência | UDP bloqueado na saída | normal em rede corporativa; funciona pela 443 |
| Nada publica e o log fala de relógio | hora não sincronizada | timedatectl |
| Bridge some do painel e volta | link instável, comum em 4G | normal; o painel mostra as falhas |
| Reinicia sozinho | fonte fraca ou cartão SD ruim | trocar a fonte primeiro |
Windows e outros Linux
Não precisa ser Raspberry. Em qualquer Linux x86-64 ou ARM o comando é o mesmo. No Windows, o instalador registra o bridge como serviço do sistema, que sobe com o computador e roda sem ninguém logado. Um mini-PC que já fica ligado na loja é um ótimo candidato.