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Raspberry Pi como ponte das câmeras para a nuvem: guia do Invigil Bridge

Um Raspberry Pi 3 ou mais novo, um cabo de rede e um comando bastam para levar as câmeras da sua rede à nuvem sem abrir porta. O passo a passo e as pegadinhas.

Equipe Invigil 5 min de leitura

O bridge é o programa que resolve o problema de quase toda câmera do Brasil: ela enxerga a internet, mas a internet não enxerga ela. Instalado num computador da sua rede, ele puxa o vídeo das câmeras e envia para a nuvem por uma conexão de saída. Nenhuma porta aberta, nenhum IP fixo. E o computador mais comum para isso é um Raspberry Pi.

O que o bridge faz (e o que não faz)

Faz: lê o vídeo das câmeras e do DVR pela rede local, envia cifrado para o datacenter, reconecta quando a internet volta e recebe comandos do painel (testar uma câmera, atualizar).

Não faz: não recodifica o vídeo, não grava em disco, não precisa de tela. Por isso roda num aparelho pequeno. O custo dele por câmera é rede e uma fração do processador; o limite real é o upload da sua internet, não o Raspberry.

O que você precisa

  • Raspberry Pi 3 ou mais novo. O Pi 4 e o Pi 5 têm rede gigabit e sobra; o Pi 3 serve para poucas câmeras.
  • Fonte oficial, ou equivalente com corrente suficiente. Fonte fraca é a causa número um de Raspberry que reinicia sozinho.
  • Cartão microSD de marca conhecida, 16 GB bastam, com o Raspberry Pi OS Lite (64 bits). Sem interface gráfica: não há o que ver.
  • Cabo de rede. O bridge funciona em Wi-Fi, mas Wi-Fi é o primeiro suspeito em qualquer vídeo picotado. Ligue por cabo na mesma rede das câmeras.
  • Uma conta no Invigil com pelo menos uma câmera para cadastrar.

Passo a passo

1. Grave o sistema no cartão

Use o Raspberry Pi Imager. Escolha o Raspberry Pi OS Lite (64 bits), e nas configurações avançadas defina o nome do usuário, a senha e habilite o SSH. Se for usar Wi-Fi, configure aqui também, mas prefira o cabo.

2. Ligue e acesse

Coloque o cartão, ligue o cabo de rede e a fonte. Em um minuto o Raspberry aparece na rede; descubra o IP dele na página do roteador e conecte pelo terminal:

ssh usuario@192.168.1.60

3. Pegue o comando no painel

No painel do Invigil, entre em Bridges e clique em Novo bridge. Dê um nome (por exemplo, “Loja Centro”) e o painel mostra um comando pronto, com um token de uso único. Ele se parece com este:

curl -fsSL https://api.invigil.com.br/install.sh \
  | sudo sh -s -- --api https://api.invigil.com.br --token SEU-TOKEN

Use o comando que o painel mostrar, não o do exemplo: o token expira e é de uso único.

4. Rode o comando no Raspberry

Cole no terminal do SSH e aguarde. O instalador baixa o bridge, cria o serviço do sistema e conecta. Em alguns segundos o bridge aparece online no painel.

5. Cadastre as câmeras

Ainda no painel, adicione as câmeras apontando para o endereço RTSP local de cada uma (por exemplo, rtsp://usuario:senha@192.168.1.50:554/...). O bridge testa cada uma na hora e mostra codec, resolução e consumo estimado. Se você não sabe o endereço, o formato por fabricante está em URL RTSP: como descobrir a da sua câmera ou DVR.

Pronto. As câmeras passam a gravar na nuvem e a aparecer ao vivo no navegador.

A pegadinha do relógio

O Raspberry Pi não tem relógio de hardware. A cada boot, a hora nasce em 1970 ou na última data conhecida, e só acerta quando o sistema sincroniza pela internet.

Vídeo gravado com a hora errada é vídeo que ninguém acha na linha do tempo. Por isso o bridge não envia nada enquanto o relógio não estiver sincronizado. Se o bridge está online mas as câmeras não publicam logo depois de um boot, espere um minuto; se persistir, confira com:

timedatectl

A linha System clock synchronized precisa dizer yes.

Quantas câmeras cabem

A conta é a do upload. Cada câmera envia o bitrate dela o tempo todo; some e compare com a velocidade de envio do seu plano, deixando 30% de folga. Quatro câmeras a 2 Mbps são 8 Mbps de upload contínuo. O Raspberry, nessa conta, aparece só como a rede: um Pi 3 tem porta de 100 Mbps, e um Pi 4, gigabit.

Para reduzir o consumo sem trocar de câmera, o caminho é H.265 no stream principal e bitrate ajustado; detalhes em quanto de internet uma câmera consome.

Se a internet cair

O bridge reconecta sozinho quando a rede volta. Se a rede bloqueia UDP (comum em empresa), ele troca para uma conexão na porta 443 depois de algumas tentativas. Nada disso precisa de intervenção, e o painel mostra o período sem envio como uma falha na linha do tempo.

Quando não conecta

O próprio bridge tem um diagnóstico local que funciona mesmo sem internet:

bridge status
O que apareceCausa provávelOnde olhar
Todas as câmeras offlinesenha errada, câmera desligada ou em outra redeteste o endereço RTSP no VLC a partir de um PC da mesma rede
Câmeras ok, envio paradolink caído ou saturadoteste de velocidade; bitrate no painel
Envio só funciona no modo de contingênciaUDP bloqueado na saídanormal em rede corporativa; funciona pela 443
Nada publica e o log fala de relógiohora não sincronizadatimedatectl
Bridge some do painel e voltalink instável, comum em 4Gnormal; o painel mostra as falhas
Reinicia sozinhofonte fraca ou cartão SD ruimtrocar a fonte primeiro

Windows e outros Linux

Não precisa ser Raspberry. Em qualquer Linux x86-64 ou ARM o comando é o mesmo. No Windows, o instalador registra o bridge como serviço do sistema, que sobe com o computador e roda sem ninguém logado. Um mini-PC que já fica ligado na loja é um ótimo candidato.

  • Raspberry Pi
  • bridge
  • instalação
  • Linux
  • CGNAT

Perguntas sobre o assunto

O que costuma ficar depois de ler.

Preciso de um Raspberry Pi ou serve qualquer computador? +
Serve qualquer Linux (x86-64 ou ARM) ou um Windows, instalado como serviço. O Raspberry Pi é o mais comum por custar pouco, gastar pouca energia e ficar ligado o ano inteiro sem ninguém notar.
O bridge grava alguma coisa no Raspberry? +
Só a própria configuração, cifrada. O vídeo passa por ele e vai para o datacenter; nada fica no cartão SD.
Quantas câmeras um Raspberry Pi aguenta? +
O bridge não recodifica o vídeo, só encaminha, então o processador raramente é o limite. O que limita é o upload da sua internet: some os bitrates das câmeras e compare com a velocidade de envio.

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