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Quanto de internet uma câmera de segurança consome? A conta de banda e de disco

Uma câmera 1080p a 2 Mbps sobe 21,6 GB por dia. Aprenda a fazer a conta para o seu caso, por que o número que importa é o de upload e como reduzir sem perder a gravação.

Equipe Invigil 5 min de leitura

A pergunta certa não é “quanto de internet eu tenho”, e sim “quanto de upload eu tenho”. A câmera envia; ela quase não recebe. E o upload é a metade da conexão que ninguém olha na hora de contratar o plano.

A fórmula

O consumo de uma câmera depende de uma coisa só: o bitrate com que ela está configurada, em megabits por segundo (Mbps). A partir dele:

GB por dia = Mbps × 10,8

De onde vem o 10,8: 1 Mbps são 1 milhão de bits por segundo; num dia há 86.400 segundos; 86,4 bilhões de bits são 10,8 bilhões de bytes, ou 10,8 GB.

Bitrate da câmeraPor diaPor mês (30 dias)Cenário típico
1 Mbps10,8 GB324 GB1080p em H.265, cena calma
2 Mbps21,6 GB648 GB1080p em H.264, configuração de fábrica comum
4 Mbps43,2 GB1,3 TB4 MP em H.264, ou 1080p com bitrate alto
8 Mbps86,4 GB2,6 TB4K, ou várias câmeras somadas

O número vale tanto para o que sai da sua internet quanto para o que ocupa no disco de quem grava. É a mesma conta.

Upload, não download

Um plano “de 500 mega” costuma entregar bem menos do que isso de envio. O valor de upload está na página do plano, em letra menor, e é o que você deve comparar com a soma dos bitrates das suas câmeras.

Um exemplo comum: quatro câmeras a 2 Mbps são 8 Mbps de envio, o tempo todo, dia e noite. Se o seu upload é de 10 Mbps, sobra pouco para o resto da casa: chamada de vídeo, backup do celular, envio de arquivo. Se é de 5 Mbps, as câmeras não cabem, e o que acontece é vídeo picotado e buraco na gravação.

Antes de contratar câmera na nuvem, faça um teste de velocidade e anote o valor de envio. A conta é: some os bitrates das câmeras e deixe pelo menos 30% de folga.

O que faz o número subir

  • Resolução. 4 MP tem o dobro de pixels de 1080p; 4K tem quatro vezes. O bitrate acompanha.
  • Quadros por segundo. 30 fps gastam mais que 15, e para segurança 12 a 15 fps bastam em quase toda cena.
  • Cena. Movimento e detalhe custam bits. Uma rua movimentada gasta mais que um corredor vazio, com o mesmo bitrate máximo configurado.
  • Noite. Com infravermelho ligado, a imagem ganha ruído, e ruído é caro de comprimir. Muitas câmeras gastam mais à noite do que de dia.
  • Codec. H.265 gasta 30 a 50% menos que H.264 na mesma qualidade.
  • Modo de bitrate. CBR mantém o valor fixo; VBR deixa cair quando a cena está parada. Para gravação contínua, VBR com um teto é o que rende menos consumo sem perder qualidade quando importa.

Como reduzir sem perder a gravação

Na ordem do que mais rende:

  1. Troque para H.265 no stream principal. É a maior economia com um clique, com a ressalva de que quem assiste o histórico precisa de um computador ou celular com decodificador de H.265 em hardware, o que quase tudo fabricado depois de 2016 tem. Explicamos em H.264 ou H.265 na câmera de segurança.
  2. Ajuste o bitrate. Para 1080p, cerca de 1,2 Mbps em H.265 e 2 Mbps em H.264 entregam imagem boa para identificar pessoa e placa. Acima de 4 Mbps você está pagando por diferença que não enxerga.
  3. Baixe os quadros por segundo para 12 a 15. Guarde 25 ou 30 fps só para onde há movimento rápido que importa (caixa, cancela).
  4. Use o substream no mosaico. Assistir oito câmeras em 1080p ao mesmo tempo consome oito vezes o bitrate; no substream, uma fração.
  5. Desligue o áudio onde não for usar. Além de gastar, gravar áudio tem implicação na LGPD e é cobrado à parte na maioria dos serviços.
  6. Mantenha o intervalo de quadro-chave em 1 a 2 segundos. Não muda muito o consumo, mas o “smart codec” que o estica para dezenas de segundos estraga a linha do tempo e a exportação. Desligue.

E o disco?

A mesma conta vale para armazenamento. Uma câmera a 2 Mbps com 30 dias de retenção ocupa 648 GB; com H.265 e 1,2 Mbps, 389 GB. Na nuvem, o disco é problema do provedor, e é por isso que o preço sobe com a retenção: é o custo que varia de verdade. Em quantos dias de gravação eu preciso mostramos como escolher.

Internet móvel e franquia

Em banda larga fixa no Brasil não costuma haver franquia, e o limite é a velocidade de envio. Em 4G e 5G há franquia, e uma câmera sozinha come um plano de 50 GB em pouco mais de dois dias a 2 Mbps. Se a câmera fica num lugar só com internet móvel (sítio, obra, quiosque), a solução é bitrate baixo, H.265, poucos quadros por segundo e, quando existir, gravação só dos trechos com movimento.

  • consumo de internet
  • upload
  • bitrate
  • GB por dia
  • banda

Perguntas sobre o assunto

O que costuma ficar depois de ler.

Câmera na nuvem consome a franquia do meu 4G? +
Consome, e rápido: uma câmera a 2 Mbps gasta um plano de 50 GB em pouco mais de dois dias. Em internet móvel, use bitrate baixo, H.265 e considere gravar só o que importa. Em banda larga fixa, no Brasil, não costuma haver franquia.
Ver a câmera pelo celular consome quanto? +
O mesmo bitrate da câmera enquanto você assiste, no sentido do download. Uma câmera em 1080p a 2 Mbps usa cerca de 15 MB por minuto assistido; pelo substream, uns 3 a 5 MB.
Wi-Fi na câmera atrapalha? +
Não muda o consumo, mas muda a estabilidade. Câmera em Wi-Fi fraco produz vídeo picotado e buracos na gravação. Sempre que der, cabo.

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